Kutsemba Cartão

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KUTSEMBA CARTÃO

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25 abril, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Comentarios desactivados

¡Y SE HIZO LA LUZ! NACE EN MOZAMBIQUE “LIVANINGO, CARTÃO D’ARTE”.

Kutsemba Cartão recibe con inmensa alegría la noticia del surgimiento de la segunda cartonera mozambiqueña: “Livaningo, cartão d’arte”, dirigida en Maputo por Elcídio Bila, José dos Remédios y Jossias Guambe.

Esta editora comenzó a gestarse el pasado mes de mayo y ya ha publicado los títulos: “Estatuto e Focalização: Modalidades Técnico-narrativas Propensas à Expressão de Ideologias em Godido” (João Dias);  “Mutxukumetiwa” (Rei do Gado -novela-), e “É tudo que tenho” (Herdino Polinésio -poseía-).

“Livaningo”, palabra que significa “luz, iluminación” en lengua rhonga (una de las más habladas en Mozambique), da nombre a esta nueva editora alternativa mozambiqueña, que como muchas otras por el mundo también ha depositado su confianza en el cartón.

¡Que continúen floreciendo los libros cartoneros en Mozambique! Nuestro agradecimiento eterno a Alba Martín Luque por organizar el “1er. Encuentro de Livros Cartoneros en Maputo”; a Alejandro de los Santos Pérez por confiar desde siempre; a Miguel Prista por permitir la entrada del cartonerismo en la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la Universidad Eduardo Mondlane; a Paulo Guambe por haber hecho crecer a Kutsemba Cartão en Mozambique; a  Lúcia Rosa (Dulcinéia Catadora) e a Beatriz Martínez (Meninas Cartoneras) por el grandísimo impulso que le dieron al mundo cartonero de Maputo cuando visitaron la ciudad; a los estudiantes que nos acompañaron en los primeros seminarios y talleres sobre editoras cartoneras; a los amigos… a todos los que han seguido confiando en el cartón.

¡”Livaningo” para Mozambique! ¡”Livaningo” para todos!

 

Para más información, pueden visitar directamente el blog de esta nueva cartonera:

LIVANINGO, CARTÃO D’ARTE

 

18 agosto, 2012 Posted by | Kutsemba Cartão | 2 comentarios

¡NACE LA PRIMERA CARTONERA DE PORTUGAL!

¡Le damos la bienvenida a la primera cartonera portuguesa!

“Bela Cartonera”, dirigida por Caeli Gobbato, acaba de nacer en Lisboa. Para más información, pueden abrir los siguientes enlaces:

BELA CARTONERA

GALERÍA DE FOTOS

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Amor e saudades infinitas, Belinha! Obrigados por TUDO!

 

8 junio, 2012 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

PRIMER ENCUENTRO DEL LIBRO CARTONERO EN MAPUTO

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¡El Primer Encuentro del Libro Cartonero en Maputo fue un éxito total! Celebrado del 13 al 23 de abril, contó con la participación de las cartoneras Dulcinéia Catadora (Brasil), Meninas Cartoneras (España) y Kutsemba Cartão (Mozambique).¡Gracias infinitas a todos los que lo hicieron posible!

Para ver información relacionada con el evento, haga click en estos enlaces:

 

PRIMER ENCUENTRO DEL LIBRO CARTONERO EN MAPUTO

GALERÍA DE FOTOS

ARTÍCULO EN EL PERIÓDICO @VERDADE (Mozambique)

8 junio, 2012 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

1ro. ENCONTRO DO LIVRO DE CARTÃO EM MAPUTO

REALIZA-SE EM MAPUTO O 1º ENCONTRO DO LIVRO DE CARTÃO NO CONTINENTE AFRICANO

Alba Martín Luque / Maputo, 3 de Abril de 2012.

Desde o nascimento da primeira editora de livros de cartão, que teve lugar no ano 2003 na Argentina, até agora, o fenómeno integra já mais de 70 editoras espalhadas pelo mundo. A única Editora de Livros de Cartão que existe no continente africano é Kutsemba Cartão, baseada em Moçambique.

ImagenA Embaixada de Espanha, em parceria com o Instituto Camões, tem o prazer de anunciar uma iniciativa da Editora Kutsemba Cartão, o Projecto Lêr é Nice e a Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM): o 1º Encontro do Livro de Cartão em Maputo, que terá lugar entre os dias 13 e 23 de Abril no Centro Cultural Português (Instituto Camões), no Anfiteatro 1502 da dita Faculdade, e na Feira de Artesanato, Flores e Gastronomia de Maputo (FEIMA), dentro das actividades previstas durante a IIIª Feira do Livro de Maputo. A Inauguração deste Encontro e da exposição de livros de cartão terá lugar no dia 13 de Abril, no Instituto Camões pelas 18h.

O 1º Encontro do Livro de Cartão em Maputo surge com o objectivo principal de divulgar o trabalho realizado nestes dois anos de vida da Editora Kutsemba Cartão, com mais de 30 títulos publicados e um total de 2.297 livros vendidos e distribuídos. O Encontro pretende assim reflectir sobre o impacto deste fenómeno na indústria literária de Moçambique, e sobre as suas possibilidades e futuro. Por outro lado, o Encontro procura também propiciar a criação de um espaço de intercâmbio e diálogo entre editores independentes e outras editoras de cartão internacionais que permita contextualizar o caso de Moçambique e de Kutsemba Cartão como a primeira Editora de Cartão activa no continente africano.

Na consecução destes objectivos, o programa do Encontro compôr-se-á, em linhas gerais, de:
(1) uma exposição de 10 dias de duração dos livros de cartão produzidos durante estes dois anos de vida de Kutsemba, a ter lugar no Instituto Camões (Centro Cultural Português), onde também estarão patentes as publicações alternativas em cartão que se tem desenvolvido no seio da FLCS da UEM;
(2) oficinas infantis e apresentação de projectos socioculturais e educativos que trabalham a partir do livro de cartão nas escolas da periferia urbana de Maputo, para além de oficinas literárias;
(3) oficinas semiprofissionais e de aperfeiçoamento de técnicas artesanais e editoriais com a colaboração dos convidados internacionais;
(4) sessões internacionais de vídeo-conferências, análise da situação mundial dos mercados alternativos do livro e novas possibilidades para a distribuição e acesso à literatura e, finalmente,
(5) um programa paralelo de eventos culturais no contexto dos títulos divulgados.

Para participar neste Encontro, deslocam-se a Maputo Lúcia Rosa (Brasil), fundadora da Editora brasileira Dulcinéia Catadora, e Beatriz Martínez (Espanha), co-fundadora da Editora espanhola Meninas Cartoneras. Ambas convidadas leccionarão em diferentes oficinas de confecção de livros e capas, e partilharão as suas experiencias nas diferentes mesas redondas e conferências programadas.

Por outro lado, e a partir das vídeo-conferências programadas para ter lugar na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, intervêm também no programa os fundadores de Kutsemba Cartão: Saylín Álvarez Oquendo e Luís Madureira (Professor Catedrático da Universidade de Wisconsin-Madison, EE.UU.); Paloma Celis Carbajal (Directora da Colecção Ibero-americana da Biblioteca da Universidade de Wisconsin-Madison, que possui a maior colecção de livros de cartão do mundo); Johana Kunin (antropóloga e investigadora do fenómeno cartonero, Argentina); e Bárbara Rodrigues (Mestre em língua espanhola e Teoria Literária pela Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, e coordenadora do projecto Qinti Qartunira, Peru).

De Moçambique o Encontro tem contado com a participação especial de escritores e dramaturgos como Carlos dos Santos, Pedro Sansão, Calane da Silva, Lucrécia Paco, Paulo Guambe e Poeta Militar, e pintores de renome como Vítor Sousa, Noel Langa, Ídasse Pende, Ciro Pereira, Nhongwene, Vânia Lemos, Carmen Moiana e outros que abraçaram a iniciativa da Kutsemba Cartão e colaboraram na cessão de textos e pintura das capas dos 1.000 exemplares de livros que foram produzidos para serem expostos e vendidos ao preço de 100 meticais durante a exposição.

Entre os novos títulos e as redições que a Editora Kutsemba Cartão lançará, estarão:

- Ekhuettthe – A Melodia do Povo, de Lino Mukuruze (Colecção Poesia)
- Alemanha Cheira a Pétalas, de Paulo Guambe (Colecção Teatro)
- O Cachorro Detective, de Paulo Guambe (Colecção Literatura Infantil)

- Mulher Asfalto, de Lucrécia Paco / Alain-Kamal Martial (Colecção Teatro)
- O Coelho Que Cozinhou a Amiga Gazela (Colecção Contos Orais)
- Elogios, de Carlos dos Santos (Colecção Narrativa)
- Travessias de cartão: aproximações ao fenómeno das editoras «cartoneras», coordenado por Saylín Álvarez Oquendo e Luís Madureira (Colecção Ensaio).

As editoras Dulcinéia Catadora (Brasil) e Meninas Cartoneras (Espanha) também apresentarão livros produzidos nos seus respectivos países.

 

O QUÉ É KUTSEMBA CARTÃO?
EXISTEM OUTRAS EDITORAS DE LIVROS DE CARTÃO?
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Kutsemba Cartão é um projecto editorial, comunitário e socio-cultural, que nasce em Moçambique em abril de 2010 com o objetivo de abrir novas perspectivas para a difusão da literatura em Moçambique, e levar livros a sectores da população habitualmente excluídos do mercado editorial. Também visa desenvolver projectos comunitários através da inclusão de grupos marginalizados ou vulneráveis em oficinas de manufactura de livros, assim como outras actividades educacionais.

Para tais fins, Kutsemba (que na língua changana significa esperança) segue o modelo plural das editoras cartoneras que se têm disseminado desde 2003, em primeiro lugar, por toda a América Latina, e mais tarde também pela Europa, África (através dos kutsembas) e finalmente Ásia, somando em total mais de 70 editoras cartoneras no mundo.

O objectivo destas editoras de cartão, que carecem de fins lucrativos, é a produção de livros artesanais e de baixo custo com capas de cartão reciclado que se vendem a preços mínimos. De maneira que pretendem garantir, por um lado, a democratização do acesso ao livro, e por outro, facilitar a publicação e divulgação das obras de novos autores.

Este fenómeno das editoras cartoneras e o impacto cultural, social e educativo que elas geram, tem sido já objecto de estudo para diferentes investigadores dos mais prestigiosos centros de ensino do mundo, entre eles, a Universidade de Harvard (EE.UU.), a Universidade de Wisconsin-Madison (EE.UU.), a Universidade Torcato Di Tella (Argentina) ou a Universidade Complutense de Madrid (Espanha).

Neste mes de Abril Kutsemba Cartão está a celebrar o seu segundo aniversário com a exposição de todos os títulos publicados até agora (em português, espanhol, inglês e changana) nas colecções de Teatro, Narrativa, Ficção, Literatura Infantil e Contos Orais.

 

http://www.wix.com/kutsembacartao/kutsemba#!i-encontro-do-livro-de-cart%C3%A3o

http://centrodeproducao-cepad.blogspot.com/

http://www.encontrolivrocartaomaputo.blogspot.com/

10 abril, 2012 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

ENA LUCÍA PORTELA EN EDICIÓN CARTONERA Y AFRICANA

Una de las grandes voces de la literatura cubana contemporánea, multipremiada tanto en Cuba como en el extranjero, traducida a por lo menos nueve idiomas y publicada en más de 20 países, ha cedido una de sus mejores novelas a Kutsemba Cartão para su publicación en Mozambique. Nuestra alegría es inmensa; nuestra gratitud, infinita. Se trata de Ena Lucía Portela (La Habana, 1972) y del libro Cien botellas en una pared (2002) en su traducción portuguesa: Cem garrafas numa parede (2004). A la inmensa generosidad de la escritora se ha sumado la de su traductor en Portugal, Marcelo Correia Ribeiro, quien cedió los derechos de la traducción y colaboró de forma decisiva para hacer realidad esta primera edición de la novela en el continente africano, con distribución exclusiva en Mozambique.

Cien botellas en una pared es la obra más conocida de Ena Lucía Portela; ganó el Premio Jaén de Novela en España (2002) y el Prix Littéraire Deux Océans-Grinzane Cavour en Francia, concedido a la mejor novela publicada en traducción francesa (2003). Ha sido editada en España (Ed. Debate, 2003), Cuba (Ed. Unión, 2003), Francia (Editions du Seuil, 2003), Portugal (Ed. Ámbar, 2004), Italia (Ed. Voland, 2004), Holanda (Ed. Meulenhoff, 2005) y Polonia (Ed. Wydawnictwo W.A.B., 2005). Se publicará también en Grecia (Ed. Potamós) y Turquía (Ed. Dogan).

La preparación de la edición mozambicana de Cem garrafas numa parede se realizó en diversas etapas. Para comenzar, en la primera quincena de noviembre el colectivo de Kutsemba Cartão impartió un seminario en la Universidad Eduardo Mondlane, de Maputo, con el título de “Ilha à deriva: Cuba através de um dos seus melhores romances contemporâneos”. Participaron estudiantes de diversas áreas de la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la UEM. Luego de las sesiones de análisis, interpretación y discusión de la novela y del contexto en que fue escrita, los últimos dos días del seminario se dedicaron a la pintura de portadas para la edición cartonera de Cem garrafas numa parede. El gran interés que generó la novela, el entusiasmo contagiante y la avidez de conocimento que mostraron los alumnos del seminario, sería un gran incentivo para el trabajo de Kutsemba Cartão con el texto de Portela en Mozambique.

Luego de estos encuentros se preparó la edición definitiva del libro, cuyos ejemplares comenzaron a distribuirse en Maputo durante los meses de noviembre y diciembre. Cem garrafas numa parede en edición cartonera y africana ya es una realidad.

 

  • Para ver más fotos del seminario y el taller de pintura de portadas haga click AQUÍ.
  • Para ver más fotos de las portadas artesanales, algunas hechas por el colectivo de Kutsemba Cartão y otras por los estudiantes del seminario, haga click AQUÍ.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

PERCURSOS E ITINERÁRIOS DUMA JOVEM ESCRITORA: ENTREVISTA COM CAELI GOBBATO

Kutsemba Cartão: Poesia, actuação, produção de espetáculos, teatro, música, revistas culturais… O qué é que melhor define a Caeli Gobbato?

Caeli Gobbato: O meu pai é fotógrafo e a minha mãe figurinista, artista plástica e estilista, cresci com livros, visitas ao quarto escuro de revelação de fotos, em bastidores de teatros esperando a minha mãe, e comecei a estudar arte e a trabalhar bem cedo, aos 13 anos, em Curitiba. Não sei o que me define, acho que depois de andar por várias estradas percebi que sempre escrevi, que foi a primeira coisa criativa que fiz e que continuei fazendo, sempre, sem dar por isso.

K.C.: Sabemos que escreveste o teu primeiro poema aos 9 anos. Quando começaste a enveredar pela narrativa?

C.G.: Sabe que ainda não tinha feito esta retrospectiva, mas lembro que as histórias começaram a aparecer pelos 15 anos. Essa coisa do poema foi engraçada, há pouco tempo lembrei disso e percebi que foi um momento importante, lembro da sensação ao escrevê-lo e das caras das pessoas ao lê-lo, mas que ficou escondido até o interesse pela escrita aparecer assumido.

K.C.: Quais as pessoas do mundo literário que te inspiraram, te incentivaram?

C.G.: Quando eu tinha uns 12 anos encontrei em casa uma coletânea de Fernando Pessoa e me apaixonei por aquilo, levava o livro pra escola todos os dias, fiz até uma capa pra ele depois que a primeira caiu. Depois veio a Clarice Lispector, outra paixão enorme. Sempre li muita dramaturgia também, lembro que um dos meus primeiros pensamentos com relação ao sentido de comunidade foi que não deveria ficar com um livro de Nelson Rodrigues pertencente à biblioteca do colégio, embora quisesse muito, era a obra completa. Pelos 15 anos encontrei Saramago e nunca mais pude deixar de lê-lo, acho que juntamente com Gabriel García Márquez e Guimarães Rosa, foi ele que me fez pensar seriamente em escrever, agradeço. De Moçambique também veio, um pouco mais tarde, alguém que até hoje me impressiona e que tenho guardado num lugar especial, Mia Couto.

K.C.: A selecção de contos recolhida neste livro é um panorama da tua obra narrativa desde o início do teu percurso, ou contem só textos mais recentes?

C.G.: Há um texto mais antigo, de 2003, mas a maioria foi escrita em Lisboa, onde vivo desde 2006. Acho que, como é natural, nos últimos anos tenho sentido as histórias mais inteiras, com uma vida mais crescida, então foram as mais recentes que passaram mais facilmente pela peneira.

K.C.: Rio de Janeiro, Lisboa, Barcelona, Jericoacoara… para além dos aspectos mais evidentes, como é que a tua escrita tem sido marcada pela tua passagem por estes lugares tão diversos?

C.G.: Sou carioca. A minha primeira grande mudança foi para Curitiba, no sul do Brasil, onde tudo era diferente, tive que me acostumar com o frio, com o fato do meu sotaque provocar riso, não ter amigos… foi muito difícil.  Mas também foi maravilhoso, faz a gente crescer mais rápido e respeitar e agradecer a diversidade. Foi o início do saborear uma introspecção, uma solidão que te faz observar, abrir os olhos, ouvir mais, o que vem atrelado a este tipo de mudança. Este livro é sobre o partir, o ficar, essa decisão que às vezes faz sofrer porque tomamos ou porque não tivemos coragem de tomar; é sobre percursos, atalhos, reflete muito das minhas andanças e do poder dos encontros, do espaço, do sentido de casa.

K.C.: Porque decidiste publicar São 11 os caminos com Kutsemba Cartão, uma editora  jovem e alternativa radicada em Moçambique, que confecciona livros utilizando cartão reciclado e fotocópias?

C.G.: É um projeto realmente importante. Ao mesmo tempo que chama atenção para a reutilização de materiais, promove a leitura e incentiva novos autores como eu a não sucumbirem às leis de mercado, chega à muitos e questiona também o sentido do objeto livro, o porquê de custar tanto e ser desejado por poucos. Me sinto honrada e feliz por ter tido a oportunidade de participar.

K.C.: No teu país natal nasceram duas das mais importantes editoras de livros de cartão: Dulcinéia Catadora (São Paulo) e Katarina Kartonera (Florianápolis), que nos têm prestado um grande apoio durante estes primeiros passos de Kutsemba Cartão em Moçambique. Achas que em Portugal, onde resides actualmente, seria possível dar início a um projecto editorial alternativo deste tipo?

C.G.: Vou fazer todo o possível para isso. Portugal é um país antigo e ainda muito jovem em alguns aspectos. Percebo uma necessidade de criar por si, de iniciar bons projetos aqui, ao invés de continuar sentado contemplando o que é alheio e almejando isso. Sinto que há muito fôlego e muita vontade, apesar de por vezes sentir que paira um pessimismo derrotista no ar, reparo em alguns movimentos, alguns olhos ansiosos por produzir, criar.

K.C.: Que podemos esperar de Caeli Gobbato no futuro?

C.G.: Entusiasmo.

K.C.: Que gostarias de dizer ao leitor moçambicano que adquire agora esta edição de São 11 os caminhos?

C.G.: Que agradeço com um abraço apertado. Que este encontro foi abençoado, que este livro nasceu onde, sem que eu soubesse, deveria nascer. Admiro muito o continente africano e respeito como se respeita um mais velho, sinto que é o que me será mais próximo, assim que os caminhos me levarem pela primeira vez até ele.

(12 de Novembro de 2010)

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

LOS CAMINOS INFINITOS DE CAELI GOBBATO

La joven autora brasileña Caeli Gobbato ha decidido apostar por los libros de cartón y cederle a Kutsemba Cartão la hermosa colección de cuentos São 11 os caminhos para su publicación en Mozambique. Un libro que habla sobre el viaje en el sentido más abarcador de la palabra: viajes en el espacio, viajes en el tiempo y viajes interiores; esa sensación de partir o de permanecer, “esa decisión que a veces hace sufrir porque la tomamos o porque no tuvimos el coraje de tomarla …” Según Caeli Gobbato, el texto “es un reflejo grande de mis propias andanzas, y del poder de los encuentros, del espacio, del sentido del hogar.”

En estos momentos la autora reside en Portugal. Fue allí donde hace unos meses, en las noches íntimas de Lisboa, bajo el abrigo y la generosidad de la imprescindible Bela, comenzó a materializarse esta edición cartonera que se hizo realidad en Mozambique.

Las portadas de São 11 os caminhos fueron pintadas por el colectivo de Kutsemba Cartão, y los libros se pusieron a la venta en Maputo durante los meses de noviembre y diciembre, en lugares como la Universidad Eduardo Mondlane, el Teatro Gil Vicente en una de sus “Noites de Poesia”, el emblemático Barrio de Mafalala (donde nacieron personalidades como los poetas Claveirinha y Noémia de Sousa, el presidente Samora Machel y el futbolista Eusébio), y la Feria de Navidad organizada por la Embajada de Portugal en Mozambique.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

FÁBULAS DE MOZAMBIQUE ENVUELTAS EN CARTÓN

Cuatro fábulas mozambicanas provenientes de la tradición rhonga se han incorporado al catálogo editorial que atesora Kutsemba Cartão. Gracias a la colaboración con el proyecto comunitario “Ler é nice”, coordinado por Paulo Guambe e Ivan Larangeira, nuestra cartonera ha comenzado la publicac ión de esta serie de fábulas pertenecientes a la tradición oral de Mozambique. Hasta ahora se han publicado tres títulos: A ambição do SapoO Coelho que cozinhou a amiga Gazela, y O Coelho e as eleições. Se encuentra en preparación un cuarto título: Como o Gato se tornou doméstico. Cada una de estas fábulas ha sido recogida en la comunidad por alumnos de la escuela primaria Unidad 22 del Bairro de Mafalala, en Maputo.

La publicación de estos textos forma parte de un programa cuyo objetivo es trabajar con niños en la confección de libros para las bibliotecas de sus propias escuelas, incentivar el hábito de lectura y estimular la creatividad. Se pretende reunir más fábulas y ampliar las fuentes hasta incluir diversas tradiciones orales de Mozambique, siempre involucrando a niños de zonas desfavorecidas económicamente y siguiendo el mismo método de recopilación a nivel de barrio.

Cada una de las fábulas publicadas hasta ahora ha sido bellamente ilustrada por el joven mozambicano Fernando Arão Guivale.

 

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

ANTOLOGÍA POÉTICA REÚNE A ESTUDIANTES DE SECUNDARIA

Una vez más Kutsemba Cartão se fue a la periferia de Maputo. En esta ocasión trabajamos en un proyecto con estudiantes de la escuela secundaria Eduardo Mondlane, del Barrio Ferroviario. Se trata de una antología poética que reúne numerosas obras de un grupo de alumnos que participan en el taller literario de la escuela, coordinado por Ivo da Costa Chaúze. En un primer encuentro los propios poetas pintaron las portadas de sus libros. En noviembre pasado tuvo lugar el lanzamiento de la antología, en medio de una acogedora ceremonia donde participaron los autores, estudiantes y profesores de la escuela, y que incluyó un recital de poesía.

El proyecto realizado con este grupo de jóvenes no se detendrá aquí, sino que intentará expandirse a otras escuelas secundarias de la periferia de Maputo, con el objetivo de darles un espacio de publicación a los estudiantes con vocación literaria, y producir libros cartoneros que puedan llenar el gran vacío que existe en las bibliotecas de estos centros estudiantiles. Al mismo tiempo se pondrán a la venta los textos, buscando recaudar fondos con los que comprar materiales escolares y continuar la producción de libros de este tipo. A cargo de esta ramificación del proyecto estará el coordinador Ivo da Costa Chaúze.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

AR E VERSO

El joven poeta Mirette Muzi (seudónimo artístico de José dos Remédios Magaia) hace su primera aparición pública con Kutsemba Cartão, que ha publicado su libro de poesía Ar e verso.

La presentación, acompañada de una lectura de poemas, tuvo lugar en la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la Universidad Eduardo Mondlane, en Maputo, el pasado mes de julio. La afluencia de público y el éxito de ventas del poemario nos llevaron a hacer una segunda edición, que lanzamos en el mes de noviembre y en la cual incluimos una entrevista con el autor, que a continuación reproducimos (en portugués).

“ALGUÉM CONHECE O FIM?”

ENTREVISTA A MIRETTE MUZI

Kutsemba Cartão: Sabemos que começaste a escrever poesia aos 16 anos. A selecção recolhida neste livro é um panorama da tua obra poética desde o início do teu percurso ou contem só textos mais recentes?

Mirette Muzi: No princípio, apostei em escrever contos por ter um prazer enorme em contar e ouvir boas estórias (na altura, nem sequer imaginava que um dia iria também escrever poemas). Com o tempo, apaixonei-me pela poesia sem que com isso perdesse o encanto pela prosa, ou seja, passei a oscilar entre Craveirinha e Chiziane. Portanto, numa primeira fase, dediquei-me a retratar na poesia um pouco daquilo que me inspira. Por isso, a quem for perguntar qual é a minha inspiração no afã de compor textos literários, posso categoricamente recomendar que leia o Ar e Verso, pois em forma de poemas, falo sobre quem sou… E dizer quem sou … é em simultâneo dizer do que gosto, de quem gosto ou venero profundamente (Nilce, Florinda, Mãe, Saramago, etc) de uma forma ampla no sentido que quem lê se identifica com a mensagem.

Nos textos recentes, olvidei Mirette Muzi e os seus prazeres. Julgo que fazer poemas é também identificar-se como membro militante da sociedade procurando dar um itinerário e voz a quem rumo não tem. Confesso que o Ar e Verso é deveras suave em relação aos «Encantos Desencatados», a colectânea de poemas recentes.

K.C.: Como avalias a situação da poesia em Moçambique hoje em dia? Dirias que existe um movimento emergente de jovens poetas no teu país?

M.M.: Falar do país, é complicado! Mas sem muitas certezas, diria que infelizmente o movimento é fraco. Nas províncias por onde passei (inclusive Maputo), é notório que os jovens não se identificam com a literatura. Talvez a fraca promoção deva ser a alavanca deste desinteresse. Entretanto, na cidade de Maputo, o movimento é grande. Existem vários e bons poetas que apenas precisam de oportunidade para mostrar o seu valor. Infelizmente as oportunidades para quem escreve e alimenta um sonho de lançar um livro são raríssimas. Além disso, os concursos literários, diferentes dos musicais por exemplo, são pouco promovidos, quer pela televisão, quer pela rádio. Apenas alguns jornais tentam promover a literatura, divulgando poucos contos e crónicas mas isso nao é suficiente.

Tiro o chapéu para os grupos NkaringanArte, Poetas d’Alma, Kupaluxa, entre outros, que incansavelmente propiciam saraus de poesia algures na cidade. Também tiro o chapéu para algumas casas comerciais e culturais que sem esperar nada em troca abrem as portas a estes grupos de poetas na sua essência.

K.C.: Quais são as possibilidades de publicação para jovens escritores como tu?

M.M.: Não sei se assumiria que há possibilidades de jovens como eu lançar um livro. Se existem, é como se não existissem.

Não quero ser preconceituoso, mas quer-me parecer que as editoras no nosso país preocupam-se minuciosamente em lançar obras de escritores consagrados. Se calhar são os melhores (não deveria ter dúvidas disso), mas será que não existem outros melhores? Seja como for, «escritores como eu» continuam sustentando o sonho. Saudações a quem sonha.

K.C.: Porque decidiste publicar Ar e Verso com Kutsemba Cartão, uma editora  jovem e alternativa que confecciona livros utilizando cartão reciclado e fotocópias?

M.M.: Primeiro, porque a Kutsemba foi a primeira a abrir as portas (agradeço muito por isso). Segundo, porque usando cartão ou não, tem objectivos claros com os quais eu simpatizo. Promover a literatura a baixo custo e lançar jovens escritores.

Na minha opinião, a melhor forma de perpetuar a literatura no nosso país, uma vez que não há dinheiro para literatura e cultura é apenas música, é esta. Todavia, uma só Kutsemba nao será capaz. É preciso que todos estejamos de mãos dadas e contribuamos para a sobrevivência desta editora e o aparecimento de tantas outras com objectivos não financeiros.

Tive a inédita oportunidade de lançar nesta editora, não disperdicei e espero que algum dia, volte a ter a mesma oportunidade e que os jovens escritores e não só, adiram a esta ideia que já nao é ideia mas uma realidade.

K.C.: Como tem sido a recepção de Ar e verso?

M.M.: Ah! A recepção tem sido óptima! Mas não paro de me perguntar: Será que as pessoas que afirmam gostar da obra, na sua maioria meus conhecidos, não estarão a se deixar levar pelo afecto que têm por mim?

Pedi a um meu professor de Introdução aos Estudos Literários e escritor que avaliasse a obra e não hesitou…disse que a obra era boa, embora tivesse que a melhorar em alguns aspectos. No dia seguinte ao laçamento do Ar e Verso na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, fui vender o livro num sarau de poesia organizado pela NkaringanArte e infelizmente saí de lá sem satisfazer a todos. Muitos até hoje, esperam pela nova edição. Penso que é um bom sinal para quem está apenas a começar…

K.C.: Entre as tuas maiores influências literárias assinalas Paulina Chiziane e José Saramago. Tens planos de enveredar pelo caminho da narrativa nalgum momento?

M.M.: Como disse antes, comecei com a narrativa. Tenho uma colectânea de contos e um romance por melhorar nalgumas coisinhas, porém ultimamente sobra-me mais tempo para escrever poemas do que narrativa. Geralmente não faço os dois géneros em paralelo, há uma fase para cada um. Entretanto, se me perguntassem qual dos dois eu prefiro, nao pensaria nem uma vez…

A literatura, para mim, é a segunda vida que na sua plenitude, complimenta a primeira.

K.C.: Que podemos esperar de Mirette Muzi no futuro?

M.M.: Não gosto muito da palavra futuro, soa muito a política. Mesmo porque Paulina Chiziane já pergunta, «por que pensar no passado se o presente está presente e o futuro é uma esperança». Nem eu sei! De qualquer modo, «quero ser 1 de Junho e nunca parar de crescer…ser 1 de Junho e voar, voar, voar…voar até ao fim». Alguém conhece o fim? Penso que não, mas é lá onde pretendo chegar se as minhas asas aceitarem. «Ser 1 de Junho como ninguém é assim…ser 1 de Junho como o vinho». Entendam a metáfora.

(7 de noviembre de 2010)

21 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

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