Kutsemba Cartão

"Uma página aberta ao porvir"

ENA LUCÍA PORTELA EN EDICIÓN CARTONERA Y AFRICANA

Una de las grandes voces de la literatura cubana contemporánea, multipremiada tanto en Cuba como en el extranjero, traducida a por lo menos nueve idiomas y publicada en más de 20 países, ha cedido una de sus mejores novelas a Kutsemba Cartão para su publicación en Mozambique. Nuestra alegría es inmensa; nuestra gratitud, infinita. Se trata de Ena Lucía Portela (La Habana, 1972) y del libro Cien botellas en una pared (2002) en su traducción portuguesa: Cem garrafas numa parede (2004). A la inmensa generosidad de la escritora se ha sumado la de su traductor en Portugal, Marcelo Correia Ribeiro, quien cedió los derechos de la traducción y colaboró de forma decisiva para hacer realidad esta primera edición de la novela en el continente africano, con distribución exclusiva en Mozambique.

Cien botellas en una pared es la obra más conocida de Ena Lucía Portela; ganó el Premio Jaén de Novela en España (2002) y el Prix Littéraire Deux Océans-Grinzane Cavour en Francia, concedido a la mejor novela publicada en traducción francesa (2003). Ha sido editada en España (Ed. Debate, 2003), Cuba (Ed. Unión, 2003), Francia (Editions du Seuil, 2003), Portugal (Ed. Ámbar, 2004), Italia (Ed. Voland, 2004), Holanda (Ed. Meulenhoff, 2005) y Polonia (Ed. Wydawnictwo W.A.B., 2005). Se publicará también en Grecia (Ed. Potamós) y Turquía (Ed. Dogan).

La preparación de la edición mozambicana de Cem garrafas numa parede se realizó en diversas etapas. Para comenzar, en la primera quincena de noviembre el colectivo de Kutsemba Cartão impartió un seminario en la Universidad Eduardo Mondlane, de Maputo, con el título de “Ilha à deriva: Cuba através de um dos seus melhores romances contemporâneos”. Participaron estudiantes de diversas áreas de la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la UEM. Luego de las sesiones de análisis, interpretación y discusión de la novela y del contexto en que fue escrita, los últimos dos días del seminario se dedicaron a la pintura de portadas para la edición cartonera de Cem garrafas numa parede. El gran interés que generó la novela, el entusiasmo contagiante y la avidez de conocimento que mostraron los alumnos del seminario, sería un gran incentivo para el trabajo de Kutsemba Cartão con el texto de Portela en Mozambique.

Luego de estos encuentros se preparó la edición definitiva del libro, cuyos ejemplares comenzaron a distribuirse en Maputo durante los meses de noviembre y diciembre. Cem garrafas numa parede en edición cartonera y africana ya es una realidad.

 

  • Para ver más fotos del seminario y el taller de pintura de portadas haga click AQUÍ.
  • Para ver más fotos de las portadas artesanales, algunas hechas por el colectivo de Kutsemba Cartão y otras por los estudiantes del seminario, haga click AQUÍ.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

PERCURSOS E ITINERÁRIOS DUMA JOVEM ESCRITORA: ENTREVISTA COM CAELI GOBBATO

Kutsemba Cartão: Poesia, actuação, produção de espetáculos, teatro, música, revistas culturais… O qué é que melhor define a Caeli Gobbato?

Caeli Gobbato: O meu pai é fotógrafo e a minha mãe figurinista, artista plástica e estilista, cresci com livros, visitas ao quarto escuro de revelação de fotos, em bastidores de teatros esperando a minha mãe, e comecei a estudar arte e a trabalhar bem cedo, aos 13 anos, em Curitiba. Não sei o que me define, acho que depois de andar por várias estradas percebi que sempre escrevi, que foi a primeira coisa criativa que fiz e que continuei fazendo, sempre, sem dar por isso.

K.C.: Sabemos que escreveste o teu primeiro poema aos 9 anos. Quando começaste a enveredar pela narrativa?

C.G.: Sabe que ainda não tinha feito esta retrospectiva, mas lembro que as histórias começaram a aparecer pelos 15 anos. Essa coisa do poema foi engraçada, há pouco tempo lembrei disso e percebi que foi um momento importante, lembro da sensação ao escrevê-lo e das caras das pessoas ao lê-lo, mas que ficou escondido até o interesse pela escrita aparecer assumido.

K.C.: Quais as pessoas do mundo literário que te inspiraram, te incentivaram?

C.G.: Quando eu tinha uns 12 anos encontrei em casa uma coletânea de Fernando Pessoa e me apaixonei por aquilo, levava o livro pra escola todos os dias, fiz até uma capa pra ele depois que a primeira caiu. Depois veio a Clarice Lispector, outra paixão enorme. Sempre li muita dramaturgia também, lembro que um dos meus primeiros pensamentos com relação ao sentido de comunidade foi que não deveria ficar com um livro de Nelson Rodrigues pertencente à biblioteca do colégio, embora quisesse muito, era a obra completa. Pelos 15 anos encontrei Saramago e nunca mais pude deixar de lê-lo, acho que juntamente com Gabriel García Márquez e Guimarães Rosa, foi ele que me fez pensar seriamente em escrever, agradeço. De Moçambique também veio, um pouco mais tarde, alguém que até hoje me impressiona e que tenho guardado num lugar especial, Mia Couto.

K.C.: A selecção de contos recolhida neste livro é um panorama da tua obra narrativa desde o início do teu percurso, ou contem só textos mais recentes?

C.G.: Há um texto mais antigo, de 2003, mas a maioria foi escrita em Lisboa, onde vivo desde 2006. Acho que, como é natural, nos últimos anos tenho sentido as histórias mais inteiras, com uma vida mais crescida, então foram as mais recentes que passaram mais facilmente pela peneira.

K.C.: Rio de Janeiro, Lisboa, Barcelona, Jericoacoara… para além dos aspectos mais evidentes, como é que a tua escrita tem sido marcada pela tua passagem por estes lugares tão diversos?

C.G.: Sou carioca. A minha primeira grande mudança foi para Curitiba, no sul do Brasil, onde tudo era diferente, tive que me acostumar com o frio, com o fato do meu sotaque provocar riso, não ter amigos… foi muito difícil.  Mas também foi maravilhoso, faz a gente crescer mais rápido e respeitar e agradecer a diversidade. Foi o início do saborear uma introspecção, uma solidão que te faz observar, abrir os olhos, ouvir mais, o que vem atrelado a este tipo de mudança. Este livro é sobre o partir, o ficar, essa decisão que às vezes faz sofrer porque tomamos ou porque não tivemos coragem de tomar; é sobre percursos, atalhos, reflete muito das minhas andanças e do poder dos encontros, do espaço, do sentido de casa.

K.C.: Porque decidiste publicar São 11 os caminos com Kutsemba Cartão, uma editora  jovem e alternativa radicada em Moçambique, que confecciona livros utilizando cartão reciclado e fotocópias?

C.G.: É um projeto realmente importante. Ao mesmo tempo que chama atenção para a reutilização de materiais, promove a leitura e incentiva novos autores como eu a não sucumbirem às leis de mercado, chega à muitos e questiona também o sentido do objeto livro, o porquê de custar tanto e ser desejado por poucos. Me sinto honrada e feliz por ter tido a oportunidade de participar.

K.C.: No teu país natal nasceram duas das mais importantes editoras de livros de cartão: Dulcinéia Catadora (São Paulo) e Katarina Kartonera (Florianápolis), que nos têm prestado um grande apoio durante estes primeiros passos de Kutsemba Cartão em Moçambique. Achas que em Portugal, onde resides actualmente, seria possível dar início a um projecto editorial alternativo deste tipo?

C.G.: Vou fazer todo o possível para isso. Portugal é um país antigo e ainda muito jovem em alguns aspectos. Percebo uma necessidade de criar por si, de iniciar bons projetos aqui, ao invés de continuar sentado contemplando o que é alheio e almejando isso. Sinto que há muito fôlego e muita vontade, apesar de por vezes sentir que paira um pessimismo derrotista no ar, reparo em alguns movimentos, alguns olhos ansiosos por produzir, criar.

K.C.: Que podemos esperar de Caeli Gobbato no futuro?

C.G.: Entusiasmo.

K.C.: Que gostarias de dizer ao leitor moçambicano que adquire agora esta edição de São 11 os caminhos?

C.G.: Que agradeço com um abraço apertado. Que este encontro foi abençoado, que este livro nasceu onde, sem que eu soubesse, deveria nascer. Admiro muito o continente africano e respeito como se respeita um mais velho, sinto que é o que me será mais próximo, assim que os caminhos me levarem pela primeira vez até ele.

(12 de Novembro de 2010)

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

LOS CAMINOS INFINITOS DE CAELI GOBBATO

La joven autora brasileña Caeli Gobbato ha decidido apostar por los libros de cartón y cederle a Kutsemba Cartão la hermosa colección de cuentos São 11 os caminhos para su publicación en Mozambique. Un libro que habla sobre el viaje en el sentido más abarcador de la palabra: viajes en el espacio, viajes en el tiempo y viajes interiores; esa sensación de partir o de permanecer, “esa decisión que a veces hace sufrir porque la tomamos o porque no tuvimos el coraje de tomarla …” Según Caeli Gobbato, el texto “es un reflejo grande de mis propias andanzas, y del poder de los encuentros, del espacio, del sentido del hogar.”

En estos momentos la autora reside en Portugal. Fue allí donde hace unos meses, en las noches íntimas de Lisboa, bajo el abrigo y la generosidad de la imprescindible Bela, comenzó a materializarse esta edición cartonera que se hizo realidad en Mozambique.

Las portadas de São 11 os caminhos fueron pintadas por el colectivo de Kutsemba Cartão, y los libros se pusieron a la venta en Maputo durante los meses de noviembre y diciembre, en lugares como la Universidad Eduardo Mondlane, el Teatro Gil Vicente en una de sus “Noites de Poesia”, el emblemático Barrio de Mafalala (donde nacieron personalidades como los poetas Claveirinha y Noémia de Sousa, el presidente Samora Machel y el futbolista Eusébio), y la Feria de Navidad organizada por la Embajada de Portugal en Mozambique.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

FÁBULAS DE MOZAMBIQUE ENVUELTAS EN CARTÓN

Cuatro fábulas mozambicanas provenientes de la tradición rhonga se han incorporado al catálogo editorial que atesora Kutsemba Cartão. Gracias a la colaboración con el proyecto comunitario “Ler é nice”, coordinado por Paulo Guambe e Ivan Larangeira, nuestra cartonera ha comenzado la publicac ión de esta serie de fábulas pertenecientes a la tradición oral de Mozambique. Hasta ahora se han publicado tres títulos: A ambição do SapoO Coelho que cozinhou a amiga Gazela, y O Coelho e as eleições. Se encuentra en preparación un cuarto título: Como o Gato se tornou doméstico. Cada una de estas fábulas ha sido recogida en la comunidad por alumnos de la escuela primaria Unidad 22 del Bairro de Mafalala, en Maputo.

La publicación de estos textos forma parte de un programa cuyo objetivo es trabajar con niños en la confección de libros para las bibliotecas de sus propias escuelas, incentivar el hábito de lectura y estimular la creatividad. Se pretende reunir más fábulas y ampliar las fuentes hasta incluir diversas tradiciones orales de Mozambique, siempre involucrando a niños de zonas desfavorecidas económicamente y siguiendo el mismo método de recopilación a nivel de barrio.

Cada una de las fábulas publicadas hasta ahora ha sido bellamente ilustrada por el joven mozambicano Fernando Arão Guivale.

 

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

ANTOLOGÍA POÉTICA REÚNE A ESTUDIANTES DE SECUNDARIA

Una vez más Kutsemba Cartão se fue a la periferia de Maputo. En esta ocasión trabajamos en un proyecto con estudiantes de la escuela secundaria Eduardo Mondlane, del Barrio Ferroviario. Se trata de una antología poética que reúne numerosas obras de un grupo de alumnos que participan en el taller literario de la escuela, coordinado por Ivo da Costa Chaúze. En un primer encuentro los propios poetas pintaron las portadas de sus libros. En noviembre pasado tuvo lugar el lanzamiento de la antología, en medio de una acogedora ceremonia donde participaron los autores, estudiantes y profesores de la escuela, y que incluyó un recital de poesía.

El proyecto realizado con este grupo de jóvenes no se detendrá aquí, sino que intentará expandirse a otras escuelas secundarias de la periferia de Maputo, con el objetivo de darles un espacio de publicación a los estudiantes con vocación literaria, y producir libros cartoneros que puedan llenar el gran vacío que existe en las bibliotecas de estos centros estudiantiles. Al mismo tiempo se pondrán a la venta los textos, buscando recaudar fondos con los que comprar materiales escolares y continuar la producción de libros de este tipo. A cargo de esta ramificación del proyecto estará el coordinador Ivo da Costa Chaúze.

22 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

AR E VERSO

El joven poeta Mirette Muzi (seudónimo artístico de José dos Remédios Magaia) hace su primera aparición pública con Kutsemba Cartão, que ha publicado su libro de poesía Ar e verso.

La presentación, acompañada de una lectura de poemas, tuvo lugar en la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la Universidad Eduardo Mondlane, en Maputo, el pasado mes de julio. La afluencia de público y el éxito de ventas del poemario nos llevaron a hacer una segunda edición, que lanzamos en el mes de noviembre y en la cual incluimos una entrevista con el autor, que a continuación reproducimos (en portugués).

“ALGUÉM CONHECE O FIM?”

ENTREVISTA A MIRETTE MUZI

Kutsemba Cartão: Sabemos que começaste a escrever poesia aos 16 anos. A selecção recolhida neste livro é um panorama da tua obra poética desde o início do teu percurso ou contem só textos mais recentes?

Mirette Muzi: No princípio, apostei em escrever contos por ter um prazer enorme em contar e ouvir boas estórias (na altura, nem sequer imaginava que um dia iria também escrever poemas). Com o tempo, apaixonei-me pela poesia sem que com isso perdesse o encanto pela prosa, ou seja, passei a oscilar entre Craveirinha e Chiziane. Portanto, numa primeira fase, dediquei-me a retratar na poesia um pouco daquilo que me inspira. Por isso, a quem for perguntar qual é a minha inspiração no afã de compor textos literários, posso categoricamente recomendar que leia o Ar e Verso, pois em forma de poemas, falo sobre quem sou… E dizer quem sou … é em simultâneo dizer do que gosto, de quem gosto ou venero profundamente (Nilce, Florinda, Mãe, Saramago, etc) de uma forma ampla no sentido que quem lê se identifica com a mensagem.

Nos textos recentes, olvidei Mirette Muzi e os seus prazeres. Julgo que fazer poemas é também identificar-se como membro militante da sociedade procurando dar um itinerário e voz a quem rumo não tem. Confesso que o Ar e Verso é deveras suave em relação aos «Encantos Desencatados», a colectânea de poemas recentes.

K.C.: Como avalias a situação da poesia em Moçambique hoje em dia? Dirias que existe um movimento emergente de jovens poetas no teu país?

M.M.: Falar do país, é complicado! Mas sem muitas certezas, diria que infelizmente o movimento é fraco. Nas províncias por onde passei (inclusive Maputo), é notório que os jovens não se identificam com a literatura. Talvez a fraca promoção deva ser a alavanca deste desinteresse. Entretanto, na cidade de Maputo, o movimento é grande. Existem vários e bons poetas que apenas precisam de oportunidade para mostrar o seu valor. Infelizmente as oportunidades para quem escreve e alimenta um sonho de lançar um livro são raríssimas. Além disso, os concursos literários, diferentes dos musicais por exemplo, são pouco promovidos, quer pela televisão, quer pela rádio. Apenas alguns jornais tentam promover a literatura, divulgando poucos contos e crónicas mas isso nao é suficiente.

Tiro o chapéu para os grupos NkaringanArte, Poetas d’Alma, Kupaluxa, entre outros, que incansavelmente propiciam saraus de poesia algures na cidade. Também tiro o chapéu para algumas casas comerciais e culturais que sem esperar nada em troca abrem as portas a estes grupos de poetas na sua essência.

K.C.: Quais são as possibilidades de publicação para jovens escritores como tu?

M.M.: Não sei se assumiria que há possibilidades de jovens como eu lançar um livro. Se existem, é como se não existissem.

Não quero ser preconceituoso, mas quer-me parecer que as editoras no nosso país preocupam-se minuciosamente em lançar obras de escritores consagrados. Se calhar são os melhores (não deveria ter dúvidas disso), mas será que não existem outros melhores? Seja como for, «escritores como eu» continuam sustentando o sonho. Saudações a quem sonha.

K.C.: Porque decidiste publicar Ar e Verso com Kutsemba Cartão, uma editora  jovem e alternativa que confecciona livros utilizando cartão reciclado e fotocópias?

M.M.: Primeiro, porque a Kutsemba foi a primeira a abrir as portas (agradeço muito por isso). Segundo, porque usando cartão ou não, tem objectivos claros com os quais eu simpatizo. Promover a literatura a baixo custo e lançar jovens escritores.

Na minha opinião, a melhor forma de perpetuar a literatura no nosso país, uma vez que não há dinheiro para literatura e cultura é apenas música, é esta. Todavia, uma só Kutsemba nao será capaz. É preciso que todos estejamos de mãos dadas e contribuamos para a sobrevivência desta editora e o aparecimento de tantas outras com objectivos não financeiros.

Tive a inédita oportunidade de lançar nesta editora, não disperdicei e espero que algum dia, volte a ter a mesma oportunidade e que os jovens escritores e não só, adiram a esta ideia que já nao é ideia mas uma realidade.

K.C.: Como tem sido a recepção de Ar e verso?

M.M.: Ah! A recepção tem sido óptima! Mas não paro de me perguntar: Será que as pessoas que afirmam gostar da obra, na sua maioria meus conhecidos, não estarão a se deixar levar pelo afecto que têm por mim?

Pedi a um meu professor de Introdução aos Estudos Literários e escritor que avaliasse a obra e não hesitou…disse que a obra era boa, embora tivesse que a melhorar em alguns aspectos. No dia seguinte ao laçamento do Ar e Verso na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, fui vender o livro num sarau de poesia organizado pela NkaringanArte e infelizmente saí de lá sem satisfazer a todos. Muitos até hoje, esperam pela nova edição. Penso que é um bom sinal para quem está apenas a começar…

K.C.: Entre as tuas maiores influências literárias assinalas Paulina Chiziane e José Saramago. Tens planos de enveredar pelo caminho da narrativa nalgum momento?

M.M.: Como disse antes, comecei com a narrativa. Tenho uma colectânea de contos e um romance por melhorar nalgumas coisinhas, porém ultimamente sobra-me mais tempo para escrever poemas do que narrativa. Geralmente não faço os dois géneros em paralelo, há uma fase para cada um. Entretanto, se me perguntassem qual dos dois eu prefiro, nao pensaria nem uma vez…

A literatura, para mim, é a segunda vida que na sua plenitude, complimenta a primeira.

K.C.: Que podemos esperar de Mirette Muzi no futuro?

M.M.: Não gosto muito da palavra futuro, soa muito a política. Mesmo porque Paulina Chiziane já pergunta, «por que pensar no passado se o presente está presente e o futuro é uma esperança». Nem eu sei! De qualquer modo, «quero ser 1 de Junho e nunca parar de crescer…ser 1 de Junho e voar, voar, voar…voar até ao fim». Alguém conhece o fim? Penso que não, mas é lá onde pretendo chegar se as minhas asas aceitarem. «Ser 1 de Junho como ninguém é assim…ser 1 de Junho como o vinho». Entendam a metáfora.

(7 de noviembre de 2010)

21 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

ENTREVISTA CON LA ESCRITORA BRASILEÑA VERA DO VAL

Gracias a la generosidad de la cartonera brasileña Dulcinéia Catadora y de la escritora Vera do Val, Kutsemba Cartão pudo publicar el libro Os filhos do Marimbondo, lendas da Amazônia, y ponerlo a disposición del público mozambicano. A continuación ofrecemos la entrevista (en portugués) que nos concedió su autora, que aparece incluída en esta edición cartonera.


“ESCREVO SOBRE AS NOSSAS ORIGENS”. ENTREVISTA CON VERA DO VAL

Kutsemba Cartão: Quem é a Vera do Val?

Vera do Val: Sou uma escritora que vem se dedicando a escrever sobre sua terra. A Amazônia é minha terra adotiva. Nasci em São Paulo e, por estas estranhezas da vida, vim parar aqui. É uma terra que vem sendo espoliada através dos anos. Embora se fale muito nela, em tratados e tratados para protegê-la, nada acontece. È um povo dócil e ordeiro. Talvez por isso mesmo, pela sua docilidade, é que é um povo esquecido e explorado indiscriminadamente.

K.C. Que lugar ocupa o livro Os filhos do marimbondo no conjunto da sua obra?

V.V. Veio naturalmente. Eu estava muito envolvida com a pesquisa e compilação das lendas regionais e algumas coisas afloraram depois da publicação de O imaginário da floresta, livro que trata mais especialmente das lendas dos índios amazônicos. Algumas histórias eu descobri posteriormente e acabei por juntá-las em Os filhos do marimbondo.

K.C. Como foi o processo de levar as lendas indígenas da Amazónia à linguagem escrita?

V.V. Foi um processo demorado e respeitoso, pois as historias, embora transcritas em uma outra linguagem que não a original dizem respeito a cultura e, algumas até à formação de um povo, povo este que vem sido exterminado através dos tempos. Portanto é preciso muito respeito para transcrevê-las.

K.C. Porque considera importante o trabalho de compilação da tradição oral amazónica, e em geral da tradição oral de qualquer cultura?

V.V. Porque os relatos orais são a história de um povo e, portanto, são a cultura deste povo. E quem somos nós senão o resultado disso tudo? Escrevo sobre nossas origens.

K.C. Que recomendaria àqueles que queiram trabalhar na recompilação de relatos orais: publicá-los na versão integral, ou escrever histórias baseadas neles?

V.V. Reescrever. Os relatos orais em sua linguagem original acabam, na maioria das vezes, ininteligíveis ou cheios de lacunas. Uma pesquisa cuidadosa e uma transcrição, como disse acima, respeitosa podem torná-los mais acessíveis.

K.C. Desde a criação de Os filhos do marimbondo, que caminho tem percorrido a Vera do Val para chegar a ganhar o mais importante galardão literario no Brasil, o Prémio Jabuti, com o livro Histórias do Rio Negro?

V.V. Escrever e ler, principalmente ler muito.

K.C. Porque está disposta a publicar os seus livros em cartão?

V.V. Porque acredito firmemente neste trabalho.  A mim importa ser lida, fazer com que minhas histórias atinjam o maior numero de crianças possível. Se eu puder, com meus textos, ajudar em alguma coisa as crianças moçambicanas serei uma mulher feliz

K.C. Que mensagem gostaria de mandar aos leitores de Moçambique?

V.V. Ler é crescer e mudar um pouquinho o mundo. Que cada um retire da leitura suas lições e sonhos. Com isso é que caminha a humanidade.

(23 de julio de 2010)

21 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario

ACTUALIZACIONES

Kutsemba Cartão ha trabajado intensamente en los últimos meses, nuestro catálogo ha alcanzado la cifra de 20 libros publicados y hemos hecho numerosas actividades en Maputo. Desafortunadamente no hemos podido mantener nuestro blog al mismo ritmo que avanzaba nuestro trabajo real. Poco a poco iremos actualizando esta páginas con las noticias “kutsemberas” que aún esperanen el tintero.

21 diciembre, 2010 Posted by | Kutsemba Cartão | Deja un comentario