Kutsemba Cartão

"Uma página aberta ao porvir"

AR E VERSO

El joven poeta Mirette Muzi (seudónimo artístico de José dos Remédios Magaia) hace su primera aparición pública con Kutsemba Cartão, que ha publicado su libro de poesía Ar e verso.

La presentación, acompañada de una lectura de poemas, tuvo lugar en la Facultad de Letras y Ciencias Sociales de la Universidad Eduardo Mondlane, en Maputo, el pasado mes de julio. La afluencia de público y el éxito de ventas del poemario nos llevaron a hacer una segunda edición, que lanzamos en el mes de noviembre y en la cual incluimos una entrevista con el autor, que a continuación reproducimos (en portugués).

“ALGUÉM CONHECE O FIM?”

ENTREVISTA A MIRETTE MUZI

Kutsemba Cartão: Sabemos que começaste a escrever poesia aos 16 anos. A selecção recolhida neste livro é um panorama da tua obra poética desde o início do teu percurso ou contem só textos mais recentes?

Mirette Muzi: No princípio, apostei em escrever contos por ter um prazer enorme em contar e ouvir boas estórias (na altura, nem sequer imaginava que um dia iria também escrever poemas). Com o tempo, apaixonei-me pela poesia sem que com isso perdesse o encanto pela prosa, ou seja, passei a oscilar entre Craveirinha e Chiziane. Portanto, numa primeira fase, dediquei-me a retratar na poesia um pouco daquilo que me inspira. Por isso, a quem for perguntar qual é a minha inspiração no afã de compor textos literários, posso categoricamente recomendar que leia o Ar e Verso, pois em forma de poemas, falo sobre quem sou… E dizer quem sou … é em simultâneo dizer do que gosto, de quem gosto ou venero profundamente (Nilce, Florinda, Mãe, Saramago, etc) de uma forma ampla no sentido que quem lê se identifica com a mensagem.

Nos textos recentes, olvidei Mirette Muzi e os seus prazeres. Julgo que fazer poemas é também identificar-se como membro militante da sociedade procurando dar um itinerário e voz a quem rumo não tem. Confesso que o Ar e Verso é deveras suave em relação aos «Encantos Desencatados», a colectânea de poemas recentes.

K.C.: Como avalias a situação da poesia em Moçambique hoje em dia? Dirias que existe um movimento emergente de jovens poetas no teu país?

M.M.: Falar do país, é complicado! Mas sem muitas certezas, diria que infelizmente o movimento é fraco. Nas províncias por onde passei (inclusive Maputo), é notório que os jovens não se identificam com a literatura. Talvez a fraca promoção deva ser a alavanca deste desinteresse. Entretanto, na cidade de Maputo, o movimento é grande. Existem vários e bons poetas que apenas precisam de oportunidade para mostrar o seu valor. Infelizmente as oportunidades para quem escreve e alimenta um sonho de lançar um livro são raríssimas. Além disso, os concursos literários, diferentes dos musicais por exemplo, são pouco promovidos, quer pela televisão, quer pela rádio. Apenas alguns jornais tentam promover a literatura, divulgando poucos contos e crónicas mas isso nao é suficiente.

Tiro o chapéu para os grupos NkaringanArte, Poetas d’Alma, Kupaluxa, entre outros, que incansavelmente propiciam saraus de poesia algures na cidade. Também tiro o chapéu para algumas casas comerciais e culturais que sem esperar nada em troca abrem as portas a estes grupos de poetas na sua essência.

K.C.: Quais são as possibilidades de publicação para jovens escritores como tu?

M.M.: Não sei se assumiria que há possibilidades de jovens como eu lançar um livro. Se existem, é como se não existissem.

Não quero ser preconceituoso, mas quer-me parecer que as editoras no nosso país preocupam-se minuciosamente em lançar obras de escritores consagrados. Se calhar são os melhores (não deveria ter dúvidas disso), mas será que não existem outros melhores? Seja como for, «escritores como eu» continuam sustentando o sonho. Saudações a quem sonha.

K.C.: Porque decidiste publicar Ar e Verso com Kutsemba Cartão, uma editora  jovem e alternativa que confecciona livros utilizando cartão reciclado e fotocópias?

M.M.: Primeiro, porque a Kutsemba foi a primeira a abrir as portas (agradeço muito por isso). Segundo, porque usando cartão ou não, tem objectivos claros com os quais eu simpatizo. Promover a literatura a baixo custo e lançar jovens escritores.

Na minha opinião, a melhor forma de perpetuar a literatura no nosso país, uma vez que não há dinheiro para literatura e cultura é apenas música, é esta. Todavia, uma só Kutsemba nao será capaz. É preciso que todos estejamos de mãos dadas e contribuamos para a sobrevivência desta editora e o aparecimento de tantas outras com objectivos não financeiros.

Tive a inédita oportunidade de lançar nesta editora, não disperdicei e espero que algum dia, volte a ter a mesma oportunidade e que os jovens escritores e não só, adiram a esta ideia que já nao é ideia mas uma realidade.

K.C.: Como tem sido a recepção de Ar e verso?

M.M.: Ah! A recepção tem sido óptima! Mas não paro de me perguntar: Será que as pessoas que afirmam gostar da obra, na sua maioria meus conhecidos, não estarão a se deixar levar pelo afecto que têm por mim?

Pedi a um meu professor de Introdução aos Estudos Literários e escritor que avaliasse a obra e não hesitou…disse que a obra era boa, embora tivesse que a melhorar em alguns aspectos. No dia seguinte ao laçamento do Ar e Verso na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da UEM, fui vender o livro num sarau de poesia organizado pela NkaringanArte e infelizmente saí de lá sem satisfazer a todos. Muitos até hoje, esperam pela nova edição. Penso que é um bom sinal para quem está apenas a começar…

K.C.: Entre as tuas maiores influências literárias assinalas Paulina Chiziane e José Saramago. Tens planos de enveredar pelo caminho da narrativa nalgum momento?

M.M.: Como disse antes, comecei com a narrativa. Tenho uma colectânea de contos e um romance por melhorar nalgumas coisinhas, porém ultimamente sobra-me mais tempo para escrever poemas do que narrativa. Geralmente não faço os dois géneros em paralelo, há uma fase para cada um. Entretanto, se me perguntassem qual dos dois eu prefiro, nao pensaria nem uma vez…

A literatura, para mim, é a segunda vida que na sua plenitude, complimenta a primeira.

K.C.: Que podemos esperar de Mirette Muzi no futuro?

M.M.: Não gosto muito da palavra futuro, soa muito a política. Mesmo porque Paulina Chiziane já pergunta, «por que pensar no passado se o presente está presente e o futuro é uma esperança». Nem eu sei! De qualquer modo, «quero ser 1 de Junho e nunca parar de crescer…ser 1 de Junho e voar, voar, voar…voar até ao fim». Alguém conhece o fim? Penso que não, mas é lá onde pretendo chegar se as minhas asas aceitarem. «Ser 1 de Junho como ninguém é assim…ser 1 de Junho como o vinho». Entendam a metáfora.

(7 de noviembre de 2010)

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21 diciembre, 2010 - Posted by | Kutsemba Cartão

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