Kutsemba Cartão

"Uma página aberta ao porvir"

ENTREVISTA CON LA ESCRITORA BRASILEÑA VERA DO VAL

Gracias a la generosidad de la cartonera brasileña Dulcinéia Catadora y de la escritora Vera do Val, Kutsemba Cartão pudo publicar el libro Os filhos do Marimbondo, lendas da Amazônia, y ponerlo a disposición del público mozambicano. A continuación ofrecemos la entrevista (en portugués) que nos concedió su autora, que aparece incluída en esta edición cartonera.


“ESCREVO SOBRE AS NOSSAS ORIGENS”. ENTREVISTA CON VERA DO VAL

Kutsemba Cartão: Quem é a Vera do Val?

Vera do Val: Sou uma escritora que vem se dedicando a escrever sobre sua terra. A Amazônia é minha terra adotiva. Nasci em São Paulo e, por estas estranhezas da vida, vim parar aqui. É uma terra que vem sendo espoliada através dos anos. Embora se fale muito nela, em tratados e tratados para protegê-la, nada acontece. È um povo dócil e ordeiro. Talvez por isso mesmo, pela sua docilidade, é que é um povo esquecido e explorado indiscriminadamente.

K.C. Que lugar ocupa o livro Os filhos do marimbondo no conjunto da sua obra?

V.V. Veio naturalmente. Eu estava muito envolvida com a pesquisa e compilação das lendas regionais e algumas coisas afloraram depois da publicação de O imaginário da floresta, livro que trata mais especialmente das lendas dos índios amazônicos. Algumas histórias eu descobri posteriormente e acabei por juntá-las em Os filhos do marimbondo.

K.C. Como foi o processo de levar as lendas indígenas da Amazónia à linguagem escrita?

V.V. Foi um processo demorado e respeitoso, pois as historias, embora transcritas em uma outra linguagem que não a original dizem respeito a cultura e, algumas até à formação de um povo, povo este que vem sido exterminado através dos tempos. Portanto é preciso muito respeito para transcrevê-las.

K.C. Porque considera importante o trabalho de compilação da tradição oral amazónica, e em geral da tradição oral de qualquer cultura?

V.V. Porque os relatos orais são a história de um povo e, portanto, são a cultura deste povo. E quem somos nós senão o resultado disso tudo? Escrevo sobre nossas origens.

K.C. Que recomendaria àqueles que queiram trabalhar na recompilação de relatos orais: publicá-los na versão integral, ou escrever histórias baseadas neles?

V.V. Reescrever. Os relatos orais em sua linguagem original acabam, na maioria das vezes, ininteligíveis ou cheios de lacunas. Uma pesquisa cuidadosa e uma transcrição, como disse acima, respeitosa podem torná-los mais acessíveis.

K.C. Desde a criação de Os filhos do marimbondo, que caminho tem percorrido a Vera do Val para chegar a ganhar o mais importante galardão literario no Brasil, o Prémio Jabuti, com o livro Histórias do Rio Negro?

V.V. Escrever e ler, principalmente ler muito.

K.C. Porque está disposta a publicar os seus livros em cartão?

V.V. Porque acredito firmemente neste trabalho.  A mim importa ser lida, fazer com que minhas histórias atinjam o maior numero de crianças possível. Se eu puder, com meus textos, ajudar em alguma coisa as crianças moçambicanas serei uma mulher feliz

K.C. Que mensagem gostaria de mandar aos leitores de Moçambique?

V.V. Ler é crescer e mudar um pouquinho o mundo. Que cada um retire da leitura suas lições e sonhos. Com isso é que caminha a humanidade.

(23 de julio de 2010)

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21 diciembre, 2010 - Posted by | Kutsemba Cartão

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